A recusa de um provedor de pagamentos costuma chegar em uma linha: o negócio "não atende aos nossos critérios" ou "está fora do nosso apetite de risco". O provedor não está sendo evasivo por gosto. Muitas vezes ele não pode explicar uma decisão baseada em análise antifraude, e não tem interesse em ensinar um solicitante a contornar os seus controles.
Isso deixa para o comerciante a tarefa de entender o que aconteceu. A maioria das recusas vem de uma lista curta de causas.
O provedor não atende esse negócio
É o motivo mais comum e o menos pessoal. Todo provedor tem segmentos que não atende, países que não consegue credenciar e volumes que considera pequenos ou grandes demais. Uma recusa desse tipo não diz nada sobre o comerciante. A mesma solicitação pode ser negócio comum para o provedor ao lado.
O que fazer: solicite em outro lugar, conferindo antes os critérios divulgados pelo próximo provedor.
A solicitação não pôde ser verificada
O analista não conseguiu confirmar quem é o dono do negócio, onde ele está registrado ou que os documentos são autênticos. Documentos faltando, nomes que não coincidem entre eles e uma propriedade por meio de várias camadas de empresas levam todos a este ponto.
O que fazer: tem conserto. Monte um conjunto completo: documentos de registro, documento de identidade e comprovante de endereço de cada diretor e sócio, um organograma societário claro e um extrato bancário em nome da empresa.
O site não passou na análise
Sem política de reembolso, sem dados da empresa, sem preços ou com produtos que a solicitação não mencionou.
O que fazer: tem conserto, e geralmente rápido. Corrija o site antes de solicitar em qualquer outro lugar, porque o próximo analista também vai abri-lo.
Os números preocuparam
Um índice de chargeback alto ou em alta, uma taxa de reembolso que sugere clientes insatisfeitos ou volumes que não combinam com o porte e a idade do negócio.
O que fazer: tem conserto em parte. O provedor quer ver a tendência melhorando e saber o motivo. Leve vários meses de extratos e diga o que mudou.
O histórico também
Uma conta anterior encerrada por um provedor, um registro na lista MATCH da Mastercard de comerciantes descredenciados ou informações desfavoráveis sobre um diretor.
O que fazer: isso não pode ser apagado, só explicado. Conte o que aconteceu antes que o provedor descubra, e diga o que está diferente agora. Espere menos provedores disponíveis e condições mais rígidas.
As finanças eram frágeis demais
Um negócio que vende produtos entregues semanas depois, com pouco capital por trás, expõe o provedor se quebrar. O mesmo vale para uma empresa nova sem demonstrações.
O que fazer: ofereça garantia. Uma reserva, um teto mensal menor para começar ou um prazo de entrega mais curto podem transformar um não em um sim condicional.
Algo não batia
A solicitação dizia uma coisa, e o site, os extratos bancários ou os registros públicos diziam outra. Os analistas recusam pela simples inconsistência, porque não conseguem distinguir um erro de uma ocultação.
O que fazer: leia a sua própria solicitação ao lado de tudo o que um estranho consegue encontrar sobre o negócio, e faça com que coincidam.
Antes de solicitar de novo
- Pergunte. O provedor talvez não dê o motivo completo, mas muitas vezes diz em que área estava o problema: documentos, site, segmento ou histórico.
- Corrija o que foi encontrado. Solicitar de novo sem mudanças produz a mesma resposta, e em alguns provedores a recusa é definitiva.
- Não solicite em todo lugar ao mesmo tempo. Uma série de recusas vira um fato sobre o qual o próximo provedor pode perguntar. Poucas solicitações a provedores cujos critérios você atende rendem mais do que vinte enviadas na esperança.
- Descreva o negócio com exatidão. Nunca suavize o segmento nem omita um produto para passar pela primeira verificação. Uma conta aberta assim é encerrada quando o monitoramento alcança a realidade, e esse encerramento acompanha o negócio até a próxima solicitação.
- Confira antes se há encaixe. Se um provedor aceita o seu segmento, o seu país e o seu volume é algo que se pode saber antes de solicitar. É a coisa mais barata de descobrir e o motivo mais comum de recusa.
Uma recusa custa tempo, e recusas repetidas custam credibilidade. O objetivo não é solicitar mais vezes, e sim ser recusado menos.